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sábado, 12 de abril de 2014

O Largo da Ordem e os Seus Moradores de Esquina

Simone Leal  





O Largo da Ordem, no Centro Histórico de Curitiba, é por essência um reduto cultural da capital paranaense. Desde os primórdios, a região é ponto de passagem de curitibanos apressados que mal param para apreciar a paisagem que os cercam. Em meados de 1.700, o local era habitado por poucas casas, uma igreja, muitas carroças e cavalos, característica que o agraciou com os monumentos históricos, o Cavalo Babão e o Bebedouro, por onde os tropeiros passavam para matar a sede dos cavalos e descansar da viagem.

Caminhando pelas históricas calçadas do Largo da Ordem, o transeunte irá se deparar com relíquias arquitetônicas, que são casarões cujo tempo não diminuiu a imponência que vertem nos telhados e detalhes típicos do século XVIII. Não se sinta sozinho se durante a caminhada imaginar-se vivendo naquela época, vestindo um traje pomposo e morando em uma daquelas casas. Este é um sintoma comum, principalmente para quem aprecia história.

Mas, não é difícil desligar-se do mundo imaginário. No Largo, há motivos suficientes para sermos bruscamente transportados para a realidade. Ao desviar os olhos da arquitetura e monumentos suntuosos, aparecem aqueles que hoje seriam os tropeiros modernos a descansar de viagens alucinógenas.

Porém, ao contrário dos tropeiros de antigamente, os atuais chegam e ficam por ali, recostando-se nos casarões, do lado de fora, obviamente. O passeio tranquilo pode ser interrompido por um morador das esquinas do Largo, que certamente irá lhe questionar com um tom de ordem: tem um real para me dar?

Na maioria das vezes as pessoas viram a cara, não somente para o pedido de um real, mas para a situação, que atualmente é vista como comum. São apenas pessoas, dependentes químicos inconvenientes, que embora mudem a paisagem do Largo da Ordem, não irão fazer parte da história da região.

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