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sábado, 29 de dezembro de 2012

As coisas que falam sem nada falar

                Simone Leal

 
Pernas e braços cruzados é a típica postura de quem conversa para dentro. Tímidos, antipáticos, introspectivos? Não. Somente amantes do silêncio.  Não é uma questão de ter ou fazer amigos, é mais do que isso. É saber interpretar aquelas palavras que não necessitam de sonoridade para serem ditas e que mesmo assim podem ser interpretadas, basta senti-las.


Não há nada mais leal e gratificante em uma amizade do que poder andar ao lado de um amigo em silêncio, há momentos em que a sincronia dos passos entre duas pessoas é capaz de substituir as gargalhadas, as conversas, as loucuras. Apenas isso é o suficiente para comprovar que elas estão conectadas, se fazem bem e se gostam ao ponto de conseguirem dividir o nada.

Até mesmo o amor por essência é mudo, pois quase sempre o que atrai são os olhares, os jeitos e trejeitos, as mãos dadas, os abraços, os beijos, os suspiros, os toques. Qualquer declaração por mais enfeitada que seja, por mais substantivos e adjetivos que contenha pode ser trocada pelas batidas ligeiras do coração, pelo frio na barriga e também pelo - ‘’O que eu faço agora?’’, quando a pessoa amada se aproxima. Por mais útil que seja um dicionário, há sensações que só podem ser compreendidas quando se consulta o próprio corpo.

Pra que falar? Se a gente pode sentir o vento gelado no rosto, modelando o cabelo ao seu gosto. Se o cheiro traz as lembranças, se o barulho da chuva acalanta. Se não souberes o que dizer guarda o som, os verbos e demonstra fazendo.

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